Domingo, 24 de Fevereiro de 2008

Stop Chorus

 

                                                                                                                                                                                              Se não estou enganado, o termo stop chorus refere-se à paragem súbita que a secção rítmica de uma formação de jazz decide fazer durante a improvisação de um dado solista, deixando-o completamente solto e sozinho, entregue à sua interiorização da progressão harmónica que está a seguir e, ainda por cima, à própria cadência regular do tempo, que apenas fica implícita.
                                      
                                      
 
Geralmente, a iniciativa desta paragem súbita cabe ao baterista e o regresso à situação «normal» de acompanhamento explícito e regular -  depois de algumas variações em stop chorus  - parte também dele, quando se sente que essa situação de suspensão está prestes a dar o que tinha a dar e convém voltar a originar uma nova explosão rítmica.
 
Nos meus tempos, cabia-me a mim  (às vezes)  esse desafio de propor um stop chorus ao solista que estivesse a tocar e por isso me lembrei agora desta expressão tão própria do jazz e que, na circunstância, me serve às mil maravilhas, já que tenho a dizer-vos  (nesta revelação de um estado de alma pessoal, tão típica de um blog que se preze)  que, nos próximos dias, se suspenderá por aqui, temporariamente, a publicação de artigos e outros materiais. Não propriamente devido ao estado da alma mas… ao estado do físico… pois uma conjugação de achaques me impede de estar muito tempo frente ao computador.
 
Mas não se vão embora definitivamente. Subscrevam o RSS  (para serem avisados de matéria nova)  ou passem por cá de vez em quando, que eu voltarei num prazo razoável. E tenho na manga algumas coisas com piada.
 
Até já! 
                                                                                                                                                              

 
Publicado por Manuel Jorge Veloso o_sitio_do_jazz às 10:15
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Quinta-feira, 21 de Fevereiro de 2008

Post Scriptum

 

 

Só mesmo Tomasz Stanko me faria sentar frente ao computador (apesar de uma forte crise de lombalgia!)  para alinhavar este necessário post scriptum que muito tem que ver com as cruas realidades do antes e do depois –  essa verdadeira angústia do escriba ao pronunciar-se por antecipação face a um determinado concerto, quiçá apenas comparável à do tal guarda-redes no momento do penalty
 
Na verdade, nem sempre o que se passa em palco durante uma performance musical se adequa por inteiro àquilo que o pobre cronista, na melhor das boas vontades, arriscou antecipar nas suas previsões, justificadas pelo estofo de um dado músico ou influenciadas pelas qualidades de um dado disco.
                                                                                                                                   
Se isto é verdade em relação a qualquer tipo de música –  mesmo aquela que, vertida em partitura, permite admitir um tipo de execução que não se afastará, em muito, do que o compositor idealizou, como acontece com a chamada música erudita  – que dizer do jazz, música improvisada por excelência e cuja dose de imprevisibilidade aumenta exponencialmente, até em função de contingências que não é forçoso serem de ordem musical?
                                                               
Ora acontece que, em rigor, o concerto ontem realizado no Grande Auditório da Culturgest pelo Quarteto de Tomasz Stanko não correspondeu inteiramente ao que o próprio músico terá sugerido como repertório para a sua actuação e cuja génese se anunciava ser o seu último álbum Lontano.
 
Dito ainda com mais rigor e para que não se precipitem mal-entendidos, se a portentosa qualidade do concerto terá confirmado, no essencial, aquilo que era possível prever  –  ultrapassando mesmo o quarteto, em inúmeras passagens do mesmo, uma certa continência e recolhimento subjacente a esse recente CD  – o certo é que, entre as peças tocadas  (e exceptuando a súbita irrupção de um curto período de 10 minutos, a meio da noite), esteve dele ausente a componente da improvisação livre que, precisamente, confere de forma única a Lontano a sua maior novidade.
 
Aquilo que perante os espectadores se desvendou então, nessa magnífica hora e meia de música, foi o outro lado do mesmo Lontano, ou seja, o culto do som por parte de Stanko, o seu consabido apego à forma e a admirável interacção com os restantes músicos, em peças de composição prévia, extraídas do line up daquela obra discográfica mas também invocadas a outros álbuns do compositor, iluminadas por exuberantes momentos de improvisação sujeita a mote, seguindo de perto estruturas em permanente movimento e suscitando no público um estudado efeito da familiaridade.
 
Esta precisão do cronista tem, assim, como preocupação fundamental, esclarecer – mesmo que apenas perante 6, 4, 2 visitantes que acaso passem por este sítio e também tenham assistido ao concerto  – o parcial desajuste entre o que em concreto se ouviu e o que antes previ nas notas alinhavadas para a folha de sala da Culturgest e que mais abaixo se reproduzem. (1)  
 
Que não se confunda, portanto, esta observação com o enunciado de qualquer reserva ou reticência face à substância desta actuação de Thomas Stanko e quanto à excelência  (e inteligência)  que presidiu à sua progressiva construção.
 
Convém sublinhar, aliás, que sem dúvida pudemos testemunhar a renovada afirmação de um grande músico, de invenção e vitalidade invejáveis, numa noite em que os outros três companheiros de aventura estiveram verdadeiramente à sua altura.
 
Pode mesmo afirmar-se, a meu ver  (embora ainda em Fevereiro!), que por certo assistimos ontem a dois dos melhores concertos de 2008:  o do Quarteto de Tomasz Stanko e o do trio de Marcin Wasilewski Slawomir Kurkiewicz Michal Miskiewicz!
                                            

 
(1) Uma mágica incursão pela liberdade
(texto para a folha de sala da Culturgest) 
 
Não têm conta as vezes que tentei começar este escrito, tão custoso e precário se torna dar ao espectador deste concerto uma ideia clara da música que o pode esperar durante a próxima hora e meia.
 
E talvez pela primeira vez  (o que, convenhamos, não é muito abonatório)  vejo-me perante a evidência de que nenhuma música deve correr o risco de ser perturbada por uma introdução ou explicação porventura inútil –  porque sempre insuficiente ou equívoca ou mesmo pleonástica  – sendo talvez preferível que a ouçamos com um espírito de plena abertura à descoberta e ao desconhecido e, sobretudo, despertos por uma generosa disponibilidade auditiva.
 
Em todo o caso, a encomenda foi feita e há que cumpri-la. Ainda por cima, existe um aspecto verdadeiramente singular no conceito de abordagem que Tomasz Stanko e o seu notável quarteto por certo irão propor-nos hoje, ao partirem, como se anuncia, de um repertório que deverá percorrer o conteúdo do último álbum, Lontano, gravado pelo grande músico em Novembro de 2005 e publicado pela ECM no ano seguinte. E essa singularidade, parecendo-me merecer um sublinhado específico, liga-se a uma característica comum  (em maior ou menor grau)  a todo o jazz mas que, em Lontano, assume contornos únicos e formas de desenvolvimento totalmente invulgares: a improvisação.
 
É preciso dizer-se, num necessário aparte  (...), que Tomasz Stanko pertenceu à primeira geração dos grandes músicos europeus que, no Velho Continente, percorreram a partir dos anos de 1970 os aventurosos trilhos do free jazz e da vanguarda de então. Estávamos num tempo em que a componente aleatória e o carácter incidental da música criada no campo do jazz eram muito presentes, a par de uma expressividade sónica e de uma energia instrumental sem limites, influenciadas em alto grau  (embora conceptualmente distintas, quanto aos pressupostos ideológicos)  pelos ecos do free jazz de origem afro-americana, reflexo de uma realidade social muito diversa.
 
Mas esta era apenas uma face, aliás jamais renegada e até levada a extremos arrebatadores, da personalidade musical de um Tomasz Stanko que ainda mergulhou nas experiências com a electrónica e a fusão. No outro prato da balança, sempre pesou na sua música o gosto pela forma e pela estrutura, a paixão pelo culto do som, a aposta no lirismo como uma das suas decisivas expressões musicais e uma certa delicadeza e sofisticação aristocráticas que se confundem com a própria cultura e arte da sua Polónia natal.
 
Neste sentido, percebe-se quão importante e decisiva foi também, na formação musical do trompetista, a grande música de Krzysztof Komeda, esse malogrado pianista de jazz e compositor para o cinema, muito cedo desaparecido e que tanto o influenciou; a par da admiração pela obra de dois mestres do jazz norte-americano como foram, com diversos graus de importância, um Miles Davis ou um Chet Baker.
                                                                 
Descontadas as óbvias diferenças em termos de pertença e herança cultural, não deixa de ser curioso, a este propósito, poder traçar-se um paralelo entre Tomasz Stanko e outros dois importantes músicos europeus  (por sinal também trompetistas!)  como o italiano Enrico Rava ou o britânico  (de origem canadiana)  Kenny Wheeler, quanto aos pontos de contacto que se detectam nos três em termos de percurso estético.
 
Retomando o fio à meada e admitindo a quase-certeza de que parte substancial da música que iremos ouvir em palco  (duas ou três versões da peça Lontano)  é totalmente improvisada –  ou seja, nem sequer nasce, como é hábito no jazz mais convencional, da exposição de um dado tema previamente escrito, organizado sobre uma dada estrutura harmónica e sustentado por um dado tempo rítmico  – concluiremos, entretanto, que nem toda a chamada música livre tem por base motivações idênticas, conduzindo aos mesmos resultados artísticos.
 
Não é aliás por acaso que, no alinhamento do disco Lontano, a autoria desta peça homónima surge sempre atribuída aos quatro componentes do quarteto. Mas o que, de facto, mais impressiona em Stanko e seus pares é essa postura comum perante o desenvolvimento partilhado de um material que se vai construindo à medida que é tocado, assim se reforçando o lado de composição que, no jazz, toda a improvisação digna desse nome encerra.
 
Ao contrário do que é prática comum em certo free jazz de expressão mais radical e convulsiva, no qual a improvisação colectiva as mais das vezes se pratica através da soma de discursos emitidos  (e quase «impostos»)  em simultâneo, quando não em intensos e deliberados clusters cacofónicos, a estratégia de livre improvisação do quarteto de Tomasz Stanko é totalmente diversa.
 
O que aqui se privilegia e encoraja de forma natural e num ambiente de alta concentração racional e contida emoção, é a interacção sequencial e a complementaridade linear – horizontal e não vertical  – de pequenas intervenções e sugestões individuais que se vão completando, ampliando e sendo incorporadas num todo cuja coerência orgânica parece nascer (não o sendo)  de uma qualquer outra lógica que não seja  (como o é)  a crescente identificação criativa entre os vários actores envolvidos nesta dramaturgia.
 
Esta observação não pressupõe, da parte do escriba, qualquer valorização ou escolha entre uma e outra opções em matéria de improvisação livre mas a mera constatação de uma distinção essencial quanto aos legítimos propósitos que diferentemente as animam.
 
Interessante é ainda referir que, no caso específico do quarteto de Tomasz Stanko, este engenhoso modo de encarar o binómio composição-improvisação conduz a uma constatação subjectiva, passe o paradoxo: a de que, afinal, quase nada parecerá distinguir, em termos de unidade conceptual, as peças nascidas da improvisação livre e outras cuja matriz temática foi previamente escrita e que por certo também ouviremos hoje.
 
É assim que Tale, essa nova abordagem da composição pela primeira vez tocada no álbum Balladyna  (ECM, 1975), ou os novos e magníficos originais incluídos em Lontano – como Cynthia, Song for Ania, Sweet Thing ou Trista   – nos soarão integrados  (e sem forçar a nota)  num continuum laboriosamente articulado, como se de uma longa e unificada suite se tratasse.
 
Diga-se ainda, por ser da maior justiça, que os três músicos de eleição que Stanko traz consigo –  e em relação aos quais vénia especial tem de ir para a cristalina musicalidade de Marcin Wasilewski  (piano)  – se arriscam a ficar associados à histórica e multifacetada carreira do trompetista. Tal como o ficaram, de uma outra entusiasmante forma, os inesquecíveis Bobo Stenson, Anders Jormin e Tony Oxley, em duas outras obras fulcrais do trompetista: Matka Joanna  (ECM, 1995) e Leosia  (ECM, 1997).
___________________
                                                                                                                              Nota:  fotos de Andrzej Tyszko, Marek Szczepanski e Sascha Kleis(ECM)
                   

 
Publicado por Manuel Jorge Veloso o_sitio_do_jazz às 15:10
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Terça-feira, 19 de Fevereiro de 2008

A música de Enrico Rava encheu o CCB

 

 

Embora pessoalmente já tenha assistido, entre nós, a concertos de Enrico Rava que chegaram a atingir a perfeição e a excelência, o certo é que a actuação do quinteto deste histórico trompetista italiano, no sábado passado em Lisboa, mesmo nem sempre atingindo nível tão elevado, conheceu fartos momentos de música brilhante e extremamente insinuante, pela descontraída coesão colectiva e pelos contributos individuais que, por vezes, induziram verdadeiras viragens no mood (já de si altamente prazenteiro) reinante em palco, algo a que os grupos do mestre há muito nos habituaram.
 
No plano instrumental, sente-se na comparação entre as duas mais recentes formações do trompetista uma diferença essencial. No piano deixou de estar Stefano Bollani –  porventura entregue, cada vez mais, a uma carreira individual que já é  (e ainda mais se antevê) galopante e triunfal  – para agora se sentar Andrea Pozza.  Pianista de cultura jazzística a toda a prova e improvisador de primeira água, sempre cuidando do enriquecimento harmónico que ilumina e clarifica uma explanação natural e movimentada do discurso melódico, Pozza é um «acompanhador» muito oportuno, embora claramente menos subversivo e desviante do que Bollani.
 
Gianluca Petrella, hoje firmado em pleno na cena italiana como um trombonista de grande originalidade, continua a ser, pela irreverência do seu estilo tão pessoal, aliada a um polivalente conhecimento dos «clássicos» de todas as épocas e tendências estéticas, um motor de combustão de todo o grupo, na multifacetada utilização  (ao serviço de um forte expressionismo)  das modernas técnicas de embocadura.  Os seus duetos a cappella com Bonnacorso  (Scrapple From the Apple)  ou com Rava  (na transição de uma bela valsa lenta para o delicioso Art Deco de Don Cherry), foram pontos altos em todo o concerto, a par do seu melhor solo da noite para Travelling Night.
  
Quanto a Rosario Bonnaccorso –  que esteve em plano de destaque na introdução e desenvolvimento da sua peça Sogni Proibiti  –, a constante manutenção de um tempo rigoroso  (como se pede a um contrabaixista), associada a momentos que contaminaram todo o grupo na justaposição de diversos padrões métricos, constituem ainda um desafio suplementar para bateristas que não se contentem em cumprir os «serviços mínimos».
 
Neste sentido, o desafio de Rava a João Lobo (1)  para actuar neste concerto revelou-se uma aposta ganha já que, passados os primeiros momentos de natural retraimento, o jovem baterista português se afoitou em geral por voos mais altos, comentando em termos percussivos e com a propósito as várias incidências do jogo instrumental ou mesmo propondo, aqui e ali, elementos de progressiva subdivisão e desmultiplicação rítmica. O único senão que notei na sonoridade de João Lobo  (aliás prejudicado por uma captação de som que não foi das mais perfeitas e também afectou o piano)  terá sido o da afinação da sua tarola, demasiado «choca» e pouco brilhante e aguda para uma sala destas dimensões e com conhecidos problemas de acústica.
 
Também Enrico Rava se apresentou em palco pleno de força  (e menos reverente aos recatos de um Chet), aventuroso q.b. nas torrentes de notas pela região aguda do instrumento e constantemente propondo a Petrella uma série de riffs que contribuíram para a tensão/distensão de várias peças, como Thank You, Come Again ou Algir Dalbughi.  Isto sem esquecer o consabido gosto pelo elaborado recorte melódico, como foi o caso de Todamor ou Nature Boy.   
 
Anunciado como tendo por base o último e belíssimo álbum de Rava –  The Words and the Days  –, o  concerto não se deteve apenas neste mais recente repertório, tendo sido evocados temas que a minha memória não ajudou a localizar e ainda peças pertencentes a outro álbum relativamente recente, como Easy Leaving, também gravado  (como aquele) para a ECM.
______________________________________________                                                                
(1) Aproveito para sublinhar as inteligentes respostas de João Lobo a uma
recente entrevista que José Duarte lhe fez para o site Jazzportugal.
______________________________________________
 
Quinteto de Enrico Rava
Grande Auditório CCB
Sábado 16, 21:00
                                                                                     
Enrico Rava  (trompete)
Gianluca Petrella  (trombone)
Andrea Pozza  (piano)
Rosario Bonaccorso (contrabaixo)
João Lobo  (bateria)
                                                                                                 

                                                                                                                       
Publicado por Manuel Jorge Veloso o_sitio_do_jazz às 16:27
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Segunda-feira, 18 de Fevereiro de 2008

Orrin Keepnews - Capítulo 6

 

Prossegue a publicação online dos vários capítulos da saga Orrin Keepnews, em pequenos vídeos (entre 8 e 10 minutos de duração) realizados por Bret Primak a propósito do lançamento do conjunto de reedições Keepnews Collection que o grande produtor está a supervisionar.
 
Agora, sob o título A Man Named McCoy Tyner, o Capítulo 6 é dedicado ao álbum Horizon, gravado em Abril de 1979 pelo septeto do grande pianista McCoy Tyner.
 
Entre outras histórias de bastidores, Keepnews revela, por exemplo, que Tyner não gostava muito de ser (apenas) conhecido como… «aquele pianista que tocava com Coltrane»… o que, convenhamos,
parece razoável.
 ___________________________________________ 
                                                                      

 

 


 

Publicado por Manuel Jorge Veloso o_sitio_do_jazz às 17:13
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Sábado, 16 de Fevereiro de 2008

Leituras...

 

                                                                                                                                                                                     
Têm sido múltiplas as expressões e manifestações públicas de protesto perante os rudes golpes que o actual Governo pretende assestar ao ensino artístico.
 
Entre essas declarações, parece oportuno citar neste sítio as que Mário Laginha fez ontem ao semanário gratuito Sexta, distribuído com o diário Público, nas quais a dado passo o pianista e compositor chama a atenção para o facto de ser «daqueles que, à luz desta reforma, teria as pernas cortadas, não teria qualquer hipótese de seguir com a (…) formação musical», considerando do mesmo passo que estamos perante «uma falsa ideia de democratização do ensino musical, que é um engano absoluto.»
 
Opondo-se à perspectiva de que «ser músico profissional em Portugal seja apenas para pessoas com dinheiro», Laginha como que denuncia o tipo de chavões que costumam ser utilizados pelo Poder, ao afirmar: «Neste país gostamos de pensar que somos evoluídos, muito europeístas e cosmopolitas. Não consigo imaginar como é que um país assim é capaz de, no século XXI, acabar com a escola pública de música.»
 
O mesmo semanário cita também as reacções da Ministra da Educação, a qual –  utilizando a cassete do costume  – argumenta que «as resistências à mudança são muito profundas (…)».
 
A propósito deste problema de graves repercussões nacionais para a manutenção, nos termos actuais ou ainda mais aperfeiçoados, do ensino artístico público, circula designadamente na Internet  (e pode ser assinada) uma petição subordinada ao título Defesa do Ensino Artístico em Portugal
                                                                                    

Publicado por Manuel Jorge Veloso o_sitio_do_jazz às 14:35
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Quinta-feira, 14 de Fevereiro de 2008

Fevereiro é o Black History Month

                                                                                                                                                                                                                                                                                                     O mês de Fevereiro é todos os anos marcado, nos EUA, por manifestações culturais e artísticas, pela organização de conferências, colóquios e exposições e toda uma série de eventos englobados num grande momento de comemoração da história do povo afro-americano:
The Black History Month.
                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                    Esta multiplicidade de manifestações tem, como origem corajosa e honrada, a primeira semana dedicada ao negro norte-americano, à sua história, cultura e herança –  The Negro History Week  – organizada, nos idos de 1926, por Carter Godwin Woodson (ver foto), director da que era conhecida, à época, como a Association for the Study of Negro Life and History.
                                                                                                             
 
                                                                                                                                    Em particular através da Internet, são hoje inúmeras as possibilidades de termos acesso – até na nossa qualidade de amadores e divulgadores do jazz, criação afro-americana por excelência  – às inesgotáveis fontes de recursos que nos dão uma panorâmica bastante completa da história do povo afro-americano.
                                                                                       
Entre tantos outros, os sítios na Internet de canais de televisão como o Biography Channel ou o History  [actualização: é preciso esperar um pouco pelo arranque do vídeo]  abrem-nos neste momento caminho para a exploração de informação verdadeiramente copiosa. Mas particularmente impressionante é a visita do sítio da Encyclopedia Brittanica Online, em particular o autêntico portal que essa prestigiada fonte de recursos agora dedica ao
Black History Month.
                                                                                                                              
 
                                                                                                                                Seria inútil, e jamais corresponderia a uma ideia (sequer) do muito que há ali para ver e consultar, dar-vos aqui conta dos inúmeros documentos, relatos e espécimes audiovisuais que o portal coloca à nossa disposição, sendo conduzidos a essa informação por links de navegação que falam por si, como Timeline, Biographies, Places & Things, Multimedia, Image Gallery ou Internet Guide entre outros. E lá poderemos ouvir, também, excertos (de maior ou menor duração) de documentos áudio e vídeo de Charlie Parker, John Coltrane, Ornette Coleman ou Louis Armstrong, por exemplo.
 
Uma visita empolgante, que vivamente se recomenda.
__________________________________________                                                                        
Encontrei uma preta
que estava a chorar
pedi-lhe uma lágrima
para a analisar.

Recolhi a lágrima
com todo o cuidado
num tubo de ensaio
bem esterilizado.

Olhei-a de um lado,
do outro e de frente:
tinha um ar de gota
muito transparente.

Mandei vir os ácidos,
as bases e os sais,
as drogas usadas
em casos que tais.

Ensaiei a frio,
experimentei ao lume,
de todas as vezes
deu-me o que é costume:

nem sinais de negro,
nem vestígios de ódio.
Água (quase tudo)
e cloreto de sódio.
 
(António Gedeão)
                                                                                                    

Publicado por Manuel Jorge Veloso o_sitio_do_jazz às 10:24
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Terça-feira, 12 de Fevereiro de 2008

Leituras...

 

 

Como se costuma dizer, não quero que vos falte nada.

Sendo assim, pensei que teriam porventura interesse em passar os olhos por dois artigos publicados na edição de hoje do New York Times.

O primeiro é uma curiosa crónica de Ben Ratliff sobre o jazz e os Grammy Awards -  intitulada A Victory for Jazz, or just Grammy being Grammy? - a propósito do galardão atribuído a Herbie Hancock.

O segundo vem na secção de Ciência, é um interessante artigo sobre o saxofone e John Coltrane e leva o título The Physics of Coltrane's Technique: How Pros Hit the High Notes

Boa leitura!

 

 


 

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Publicado por Manuel Jorge Veloso o_sitio_do_jazz às 14:42
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